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'Inteligência artificial só pode dominar arte que segue fórmulas', diz Caetano W. Galindo – Quatro cinco um

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Para o tradutor, escritor e ensaísta paranaense, a literatura deve fugir de estruturas prontas para refletir a complexidade da vida

Escritores, roteiristas, compositores e artistas em geral devem se preocupar com a capacidade criadora da inteligência artificial? Essa pergunta pairou neste domingo (30) sobre a mesa “Trilha de Letras: Caetano W. Galindo”, com o tradutor, romancista e ensaísta curitibano convidado d’A Feira do Livro. Na conversa com a autora carioca Eliana Alves Cruz, que foi gravada para o programa literário apresentado por ela na TV Brasil, Galindo afirmou que só arte que segue fórmulas corre o risco de ser dominada pelos algoritmos.

“Elon Musk e Mark Zuckerberg não estão pensando em uma máquina de escrever sonetos”, brincou o autor do romance Lia: cem vistas do monte Fuji, sua estreia na ficção, publicado este ano pela Companhia das Letras.

Primeiro, disse Galindo, porque não há muito dinheiro envolvido no negócio de escrever e publicar poesia. Segundo, porque a inteligência artificial depende de estruturas prontas, facilmente reproduzíveis, das quais a literatura e outras formas de arte precisam fugir se quiserem refletir a complexidade da vida real.

“A fórmula te dá uma coisa maravilhosa: a segurança do reconhecimento. As pessoas reconhecem as estruturas e chegam a prever o que vai acontecer numa história. É um mecanismo super produtivo, mas que foi um pouco estragado. No audiovisual acontece muito, mas aqui somos irresponsáveis”, afirmou, arrancando risos da plateia.

Alves Cruz lembrou que, em Lia, Galindo evita a estrutura de um romance tradicional e propõe um “experimento estético fragmentário”. Publicado originalmente como um folhetim no jornal paranaense Plural, o livro reúne capítulos breves e independentes, em que a figura da protagonista vai se formando a partir da narração de episódios cotidianos, reflexões sobre o tempo e depoimentos variados, que nem sempre têm a personagem em foco.

O escritor contou que sua intenção foi criar algo que refletisse a vida como ela é. Ele disse ter se perguntado: “Será que o que eu quero apresentar cabe no molde do romance tradicional? Em alguma medida, o realismo tradicional e o romance tradicional traem nossa percepção da realidade, que é muito menos abrangente. A vida é muito mais desprovida de sentido, lógica, coerência.”

A forma de folhetim, revelou, teve a ver com “toda a sabedoria comercial e de marketing de alguém formado em letras”, riu. Assim, a estrutura surgiu da necessidade de ter fragmentos pequenos, que podiam ser publicados semanalmente e mantivessem as pessoas interessadas na forma. “Porque a história não existia”, disse.

Perguntado sobre o uso crescente do termo narrativa, das faculdades de letras ao mundo da política, Galindo disse ver com desconfiança como a palavra foi “cooptada”. “Isso traduz um modelo que apresenta as coisas numa ordem de causa e consequência, de relevância. Isso é muito traiçoeiro, porque a vida não funciona assim.”

Ele ainda convocou escritores e escritoras a experimentar e variar mais. “Existem muitos jeitos de se representar um ser humano num livro, e isso te dá muita liberdade”, disse.

O que pode essa língua

Numa segunda parte do encontro, Galindo e Alves Cruz conversaram sobre a língua portuguesa falada no Brasil, da qual o autor paranaense trata em Latim em pó: um passeio pela formação do nosso português, lançado em 2023, também pela Companhia das Letras.

Provocado sobre “o que pode essa língua” — verso da música do xará Caetano Veloso que inspirou o título do livro —, Galindo não hesitou: “Pode tudo. É a sexta língua mais falada do mundo. Foi o Brasil que ocupou esse lugar econômica e socialmente, mas não saímos de um lugar subalterno de achar que é Portugal que fala direito. Está mais que na hora de a gente entender que o português especificamente brasileiro não deve nada a nenhum outro idioma do mundo.”

Ele ainda foi questionado sobre a influência do elitismo nas regras gramaticais da chamada norma culta, e defendeu que todo falante nativo de um idioma é absolutamente competente para usá-lo. “Regras de escrita começam a ser usadas como fatores de exclusão. Quando alguém mostra que sabe usar um ‘cujo’, está colocando um crachá de escolarização. E isso no Brasil é muito racializado.”

“Criamos uma gramática prescritiva que ninguém usa de verdade. Machado de Assis não seguia, José de Alencar não seguia, nem Coelho Neto [autor que ficou célebre por sua escrita rebuscada] seguia. Mas gramáticas mais realistas estão se espalhando. A língua não é como regra de trânsito. Os usuários têm mais poder que o semáforo”, finalizou.

A Feira do Livro 2024

29 jun.—7 jul.
Praça Charles Miller, Pacaembu

A Feira do Livro é uma realização da Associação Quatro Cinco Um, organização sem fins lucrativos voltada para a difusão do livro no Brasil, e da Maré Produções, empresa especializada em exposições e feiras culturais. O patrocínio é do Grupo CCR, do Itaú Unibanco e Rede, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, da TV Brasil e da Rádio Nacional de São Paulo.

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Marcelo Faria - Redação Kriahtiva

Marcelo Faria, aos 27 anos, é a mente criativa por trás da produção de textos da Kriahtiva. Com uma paixão inigualável pelo universo online, seus textos são faróis de inspiração, navegando pelos mares do marketing digital com inovação e expertise. Em cada artigo, ele transforma conceitos complexos em leituras envolventes, guiando os leitores por uma jornada única de descobertas no vasto mundo do marketing.

Sobre o autor

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Marcelo Faria - Redação Kriahtiva

Marcelo Faria, aos 27 anos, é a mente criativa por trás da produção de textos da Kriahtiva. Com uma paixão inigualável pelo universo online, seus textos são faróis de inspiração, navegando pelos mares do marketing digital com inovação e expertise. Em cada artigo, ele transforma conceitos complexos em leituras envolventes, guiando os leitores por uma jornada única de descobertas no vasto mundo do marketing.

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