Inteligência artificial: da prevenção à cirurgia – Medscape

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3 de junho de 2024
As diferentes aplicações para a Inteligência artificial dominaram as conversas na “Área de Inovação e Tecnologia” da 4ª edição do Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), que aconteceu entre 30 de maio a 1º de junho, em São Paulo.
Na sessão inaugural, o Dr. Diandro Marinho, cardiologista do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC), abordou o uso como aliada à medicina preditiva, destacando sua contribuição para diagnósticos precoces e redução de custos nos sistemas de saúde público e privado.
De acordo com o Dr. Diandro, a capacidade da IA em lidar com grandes quantidades de dados, processando-os em velocidades que ultrapassam a capacidade manual, é uma habilidade que gera benefícios à medicina por possibilitar que um volume extenso de exames sejam analisados de forma profunda, permitindo detectar padrões complexos que vão além da capacidade humana. “Com o avanço da inteligência artificial, podemos processar uma quantidade inimaginável de informações sobre nossos pacientes, o que fornece insights relevantes para decisões clínicas”, afirmou o cardiologista.
Tradicionalmente, os estudos clínicos partem de pressupostos que representam a média de uma população, o que limita a avaliação precisa de como uma intervenção pode afetar um indivíduo específico. “O que se faz é extrapolar os resultados, comparando as características do paciente com as dos indivíduos dos estudos, para avaliar se ele se assemelha à média daqueles que responderam positivamente a determinada intervenção,” disse o especialista. 
Assim, nem sempre as diversas camadas que compõem o fenótipo de uma doença são consideradas, como informações genéticas, transcricionais, proteicas e metabólicas. “Quando falamos do fenótipo de uma doença, precisamos considerar todos esses aspectos. Há uma necessidade crescente de uma medicina personalizada e, com a IA, isso se torna mais viável” afirmou Dr. Diandro.
Um exemplo citado pelo cardiologista foi o uso da IA na análise de imagens médicas, como raios-X, tomografias, ressonâncias magnéticas, eletrocardiogramas e fundoscopia. Ele mencionou um estudo publicado no International Journal of Cardiology em 2022 no qual um modelo de aprendizagem profunda (deep learning), subcampo da IA,  foi treinado para analisar radiografias torácicas e detectar doença arterial coronariana significativa. 
“Com a IA, um simples eletrocardiograma pode fornecer uma variedade de informações sobre o paciente, incluindo sexo, idade estimada, fração de ejeção, diagnósticos difíceis e até mesmo condições como pré-diabetes ou diabetes. Além disso, pode ajudar na previsão de complicações futuras, como a fibrilação atrial, e na avaliação das pressões de enchimento do ventrículo esquerdo. Isso nos permite fazer previsões diagnósticas mais precisas e aprofundadas sobre nossos pacientes com base em um exame simples e barato”, acrescentou o Dr. Diandro. 
Médico responsável pela arena de inovação e tecnologia do Congresso da Socesp de 2023, também citou a uma pesquisa no qual a IA foi utilizada para criar um score de cálcio na artéria coronária (CAC) como forma de realizar uma estratificação de risco cardiovascular utilizando fotografias da retina dos pacientes. “O estudo superou os modelos de parâmetro clínico na previsão da presença de CAC, com desempenho comparável à estratificação de risco convencional em três coortes diferentes”, disse o Dr. Diandro.
Inteligência artificial nas intervenções cirúrgicas
Cardiologista intervencionista do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), o Dr. Carlos A Campos apresentou uma perspectiva otimista sobre o uso da IA nas intervenções cardíacas, com muitas práticas já implementadas pelo Incor no âmbito da saúde pública.
Um dos exemplos mencionados por Dr. Carlos é a utilização da IA para auxiliar a interpretação dos dados gerados pela tomografia de coerência óptica (OCT) na desobstrução das artérias. A tecnologia, que recebeu registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em janeiro de 2023, faz uma fusão das imagens de raio-X e tomografia, identificando os locais de obstrução com maior gravidade, características da placa, se há calcificações, e as espessuras e ângulos das calcificações. Depois da colocação do stent, também identifica se está corretamente expandido, facilitando a tomada de decisão com base na OCT. 
“Após a implantação do stent, a expansão correta é crucial para evitar complicações. As diretrizes internacionais recomendam uma expansão mínima de 80%. Expansões de apenas 70% já aumentam significativamente o risco de mortalidade dos pacientes”, afirmou o Dr. Carlos. 
“Tradicionalmente, na maioria dos hospitais do Brasil, esse processo é realizado manualmente, com o intervencionista medindo milimetricamente ao longo da coronária onde está o cálcio. Agora, com a ajuda da IA, esse procedimento pode ser automatizado, permitindo uma intervenção mais precisa e menos invasiva. A ferramenta já identificou a necessidade de intervenções em OCTs que, à primeira vista, pareciam não requerer ação.”
Outro exemplo mencionado pelo cardiologista é a utilização da IA para avaliar a fisiologia coronária durante intervenções cirúrgicas cardíacas. A tecnologia é capaz de identificar automaticamente oscilações que podem surgir, como na curva de pressão, devido às interações do cateter com as paredes das artérias. 
Além da avaliação da fisiologia coronária sem a necessidade de fios. “Com essa abordagem menos invasiva, o software é capaz de detectar automaticamente o contorno do vaso e avaliar a fisiologia de ramos laterais associados, possibilitando uma simulação precisa da colocação do stent com base em reconstruções 3D”, disse o médico.
O Dr. Carlos também destacou o potencial da IA para automatizar tarefas administrativas e melhorar a eficiência do atendimento ao paciente, contrariando a ideia de que a tecnologia torna a relação médico-paciente mais fria e distante. Como exemplo, citou ferramentas já validadas e disponíveis para automatizar processos como pedidos de exames, solicitações de medicamentos e monitoramento da adesão ao tratamento. “Isso permite que os profissionais de saúde dediquem mais tempo e atenção ao paciente, em vez de lidar com tarefas burocráticas”, disse o especialista. 
O Dr. Carlos também ressaltou a capacidade da IA em monitorar e identificar fraudes no sistema de saúde, contribuindo para a otimização de recursos e redução de desperdícios. “O Brasil enfrenta desperdícios na saúde devido a fraudes, algo que poderia ser mitigado com o uso da tecnologia para monitorar os gastos. Esse investimento se traduziria em maiores recursos para a implementação de tecnologias em predições e intervenções”, afirmou.
Os desafios da IA
Apesar dos benefícios proporcionados pela tecnologia, o coordenador da seção “Como usar tecnologia e inteligência artificial para salvar vidas”, Guilherme Rabello, head de inovação do InovaIncor, afirmou ser importante reconhecer os desafios da incorporação da IA na prática médica. Um dos pontos que deve ser levado em consideração é o custo associado à essa tecnologia, especialmente para o sistema público de saúde. 
Em resposta a esses desafios, o Dr. Carlos enfatiza a necessidade de buscar soluções criativas e investir no desenvolvimento de tecnologias em território nacional “Embora a IA possa representar um investimento inicial significativo, também tem o potencial de tornar os gastos na saúde mais eficientes, tanto por meio de diagnósticos e tratamentos mais precisos, como por meio da redução de fraudes e desperdícios.”
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Imagem principal: Putilich | Dreamstime.com
 
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Citar este artigo: Inteligência artificial: da prevenção à cirurgia – Medscape – 3 de junho de 2024.
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Marcelo Faria - Redação Kriahtiva

Marcelo Faria, aos 27 anos, é a mente criativa por trás da produção de textos da Kriahtiva. Com uma paixão inigualável pelo universo online, seus textos são faróis de inspiração, navegando pelos mares do marketing digital com inovação e expertise. Em cada artigo, ele transforma conceitos complexos em leituras envolventes, guiando os leitores por uma jornada única de descobertas no vasto mundo do marketing.

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Marcelo Faria, aos 27 anos, é a mente criativa por trás da produção de textos da Kriahtiva. Com uma paixão inigualável pelo universo online, seus textos são faróis de inspiração, navegando pelos mares do marketing digital com inovação e expertise. Em cada artigo, ele transforma conceitos complexos em leituras envolventes, guiando os leitores por uma jornada única de descobertas no vasto mundo do marketing.

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