Em um mundo com IA, educadores seguem mudando mentes – Porvir

Inovações em Educação
por Ruam Oliveira ilustração relógio 18 de junho de 2024
Para alguns, usar inteligência artificial pode representar diferentes riscos. Para os mais assustados, ela pode fazer com que pessoas percam seus empregos e, como nos filmes de ficção científica, até mesmo cometer atrocidades. Contudo, o cenário atual ainda não é inteiramente caótico. 
Zack Kass, futurista, professor e ex-integrante da OpenAI – empresa responsável pelo desenvolvimento do ChatGPT (sistema baseado em inteligência artificial que gera conversas a partir de perguntas e tópicos sugeridos pelo usuário) – tem uma visão menos fatalista e mais otimista em relação ao uso de recursos de inteligência artificial, principalmente na educação. Em palestra nesta terça-feira (18), durante o ArcoDay, evento sobre tecnologia e inovação realizado pela Arco Educação em São Paulo (SP), Zack apontou que professores têm, em sua prática docente, diversas possibilidades de uso dessa tecnologia, e que isso não significa que seus empregos serão extintos ou menos importantes.
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“Como professores, vocês estão observando problemas do cotidiano, formando e ensinando aos alunos a serem bondosos, compreensivos, atenciosos e efetivamente corajosos”, afirmou. O futurista argumentou que serão os aspectos humanos que vão se sobressair em um futuro próximo.
“Uma das coisas mais fascinantes sobre a IA é que ela trará uma melhoria incrível na produtividade dos trabalhadores e na satisfação no trabalho, especialmente entre as pessoas que trabalham com outras pessoas. Vocês (educadores) não entraram nessa profissão para fazer um monte de trabalho administrativo. Vocês entraram nessa profissão para apoiar os estudantes”, disse.
Zack comentou que é possível ensinar tarefas básicas às máquinas, como conversar ou revisar um texto. Contudo, elas não serão tão aptas a tomar decisões levando em consideração “a experiência humana”. “Vocês, professores, deverão incutir nos alunos valores humanos”, afirmou.
Ao longo da vida, exemplificou, todos guardamos experiências positivas em relação a algum professor. “Por que os alunos não querem aprender com um tutor impulsionado por IA? Há muitas razões. Mas a razão número um é que professores mudam mentes. Todo grande líder, todo grande pensador pode apontar para professores em suas vidas que mudaram a maneira como eles pensavam. Eu tenho os meus. Tenho certeza de que todos nesta sala têm os seus”.
Para Zack, a melhor parte de ser professor é a possibilidade de impactar a vida dos alunos não pelo que eles aprendem na sala de aula do ponto de vista do conhecimento acadêmico, mas sim do ponto de vista das habilidades para a vida. “Estou convencido de que o sucesso futuro será determinado pela adaptabilidade, coragem, curiosidade, pensamento crítico e empatia”.
O futurista não se esquivou de dizer que o desenvolvimento de ferramentas baseadas em inteligência artificial trará consigo vários desafios e transformações para a sociedade. Ele imagina que outra tarefa que caberá aos professores é trabalhar aspectos socioemocionais, como a identidade.
Com as mudanças sociais ocorrendo cada vez mais rápido e a presença ampla da inteligência artificial e da tecnologia, a percepção individual e o olhar para quem cada estudante quer ser serão impactados. Com isso, os professores também precisarão desenvolver habilidades socioemocionais nos alunos que respondam a essas mudanças.
Aprender a aprender é outra habilidade que será também fundamental. Kass considera que esta é uma das principais necessidades do futuro, que pode ser compreendida desde já. “Vocês precisarão se preparar para grandes mudanças”, pontuou.
Ainda reforçando habilidades humanas como ponto central da vivência tanto dentro quanto fora da escola, ele afirmou que se corre o risco de as pessoas se tornarem menos esforçadas, em razão do uso irresponsável da tecnologia e dessas ferramentas. “Pelo poder da inteligência artificial, isso pode ser muito danoso. Nós precisamos lutar contra esse futuro”, disse.
Ele criticou o excesso de uso de telas atualmente em qualquer idade, e esse comportamento também pode contribuir negativamente para a sociedade. “Precisamos reduzir nosso tempo de tela”, enfatizou.
Enquanto isso, o ex-integrante da OpenAI recomenda que as escolas precisam inspirar os estudantes a usar as tecnologias para algo construtivo, enquanto se esforçam em elaborar planos de aula e avaliações que sejam à prova de trapaça por sistemas de IA, mas que, ao mesmo tempo, possam ser melhorados por esses novos sistemas. “Tentem construir planos de aula onde seus testes sejam em sala de aula. Tentem projetar testes muito mais difíceis para levar para casa e forcem os alunos a realmente usar essa tecnologia a seu favor”.
Contudo, ele está entusiasmado com o que enxerga à sua frente em termos de IA. Considerando que essas ferramentas são apenas um suporte, além da otimização de tempo para os professores, da oportunidade de elaborar pesquisas e aumentar a satisfação profissional – principalmente no caso dos professores que atuam com interação humana –, aprender a descansar virá junto com o pacote. “Otimize qualidades e habilidades humanas. Encoraje seus estudantes a aprenderem algo que amam, não apenas pelo emprego”, aconselhou.
Ao traçar uma linha do tempo do recente desenvolvimento da tecnologia de inteligência artificial e também imaginar como será seu futuro, Zack comentou que, atualmente, estamos na fase inicial da adoção da IA, onde utilizamos aplicações aprimoradas como o ChatGPT de forma simples.
A fase dois, que chegará em breve, trará agentes autônomos, permitindo que máquinas executem tarefas específicas em seus aplicativos e navegadores. “Nos próximos 12 meses, será possível atribuir tarefas a máquinas que agirão em seu nome, decidindo se deseja compartilhar informações médicas ou financeiras com elas”.
Já numa fase três, mais complexa, para um intervalo de 20 anos, é possível pensar que dispositivos móveis, como o iPhone, evoluam para vestíveis, como óculos, e eventualmente para dispositivos implantáveis. “Acredito que, dentro desse período, abandonaremos as telas de computador. A razão para isso é que os smartphones, em minha opinião, estão prejudicando nossas vidas, especialmente para crianças”. Nesses tempos, disse ele, as sociedades vão descobrir com
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Marcelo Faria - Redação Kriahtiva

Marcelo Faria, aos 27 anos, é a mente criativa por trás da produção de textos da Kriahtiva. Com uma paixão inigualável pelo universo online, seus textos são faróis de inspiração, navegando pelos mares do marketing digital com inovação e expertise. Em cada artigo, ele transforma conceitos complexos em leituras envolventes, guiando os leitores por uma jornada única de descobertas no vasto mundo do marketing.

Sobre o autor

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Marcelo Faria - Redação Kriahtiva

Marcelo Faria, aos 27 anos, é a mente criativa por trás da produção de textos da Kriahtiva. Com uma paixão inigualável pelo universo online, seus textos são faróis de inspiração, navegando pelos mares do marketing digital com inovação e expertise. Em cada artigo, ele transforma conceitos complexos em leituras envolventes, guiando os leitores por uma jornada única de descobertas no vasto mundo do marketing.

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