• Home
  • Notícias
  • Pages
  • Dia do Dublador 2024 é marcado por preocupações com o avanço da IA – Omelete

Dia do Dublador 2024 é marcado por preocupações com o avanço da IA – Omelete

Créditos da imagem: Shirobako/P.A. Works/Divulgação
Mangás e Animes
“Não podemos nos desesperar”. O futuro da inteligência artificial e seu impacto na sociedade é um debate antigo na cultura pop. Desde os anos 1980, vários livros, filmes e gibis abordam o avanço dessa tecnologia. Em 2024, podemos dizer que esse futuro já começou. Os avanços da IA estão revirando mercados e, no Brasil, preocupando diretamente artistas e dubladores. Por esses e outros motivos, o Dia do Dublador, comemorado neste sábado (29), tem um peso diferente.
Com cada vez mais programas generativos, profissionais da área da dublagem se sentem lesados e temem um futuro onde máquinas darão vida e voz a muitos personagens. Uma simples pesquisa no Google retorna com o link de diversas plataformas de inteligência artificial para dublagem. “Melhor gerador de voz”, “ferramentas de localização (termo utilizado para tradução de conteúdos estrangeiros em um país)” e “melhor dublagem para vídeo” são algumas das promessas contidas nos anúncios.
Mas o que fazem essas IAs afinal? Segundo a Google Cloud, uma inteligência artificial generativa “usa um modelo de ML (sigla para aprendizagem de máquina) para aprender os padrões e as relações em um conjunto de dados de conteúdo criado por humanos. Em seguida, ele usa os padrões aprendidos para gerar novo conteúdo”. Ou seja, após analisar a voz de uma pessoa, essas máquinas podem reproduzi-las em novas falas, incluindo conteúdos nunca ditos de verdade.
Ao circular pelas redes sociais, especialmente às com ênfase em vídeo, como Instagram e TikTok, é comum encontrar vídeos que recriam ou inventam cenas com alguns personagens marcantes da cultura pop. Indo além, entrevistas e cenas são redubladas com outros contextos envolvendo piadas e memes da época. A brincadeira, saudável por muitos pontos de vista, envolve a recriação da voz dos personagens ou artistas com o uso da inteligência artificial, apontando para um futuro perigoso, onde os empregos dos dubladores podem estar ameaçados.
Para o experiente dublador, diretor de dublagem e empresário Wendel Bezerra, voz de Goku, Bob Esponja, Jackie Chan e Robert Pattinson, vale a brincadeira, mas não descarta a ajuda dos fãs na luta contra possíveis ameaças. “Particularmente, [acho que o] pessoal que faz música, vídeo e coisa ligada a humor, engraçado e divertido, não vejo um problema. [A IA] é uma ferramenta que a internet nos trouxe, a modernidade trouxe, e que vale a pena brincar”, diz Wendel ao Omelete.
Em entrevistas anteriores, o dublador estimou que haja cerca de 600 dubladores no eixo Rio-SP e agora acredita que o público desses profissionais pode ajudar na luta por mais direitos e proteção dos empregos. “A Dublagem Viva, que é o movimento dos dubladores no Brasil, está em busca dessa regulamentação, de defender os direitos dos atores de voz”, explica.
Uma das principais campanhas dos dubladores, a Dublagem Viva, citada por Bezerra, defende a proteção dos profissionais de voz contra a tecnologia. Em uma carta manifesto no site da campanha, o grupo alega que “a inteligência artificial generativa cresce e avança a passos largos em direção a uma ruptura social. Essa substituição criaria uma estrutura onde o humano seria trocado por uma inteligência artificial generativa, mas esta nunca seria equivalente à experiência criativa real humana” — você encontra o texto na íntegra aqui.
Alerta de Risco
O dublador e diretor de dublagem André Rinaldi, que comandou a versão brasileira de Solo Leveling e outros animes, diz ao Omelete que a primeira coisa a se fazer sobre o avanço da IA é não se desesperar. “A tecnologia está aí, ela está chegando e sendo usada. O que a gente precisa é pensar em uma regulamentação e como ela [IA] vai afetar o nosso mercado. Não só para dubladores, mas tradutores e técnicos também.”
Na prática, ainda não se enfrentou nenhuma situação de uso indevido de voz no Brasil em grandes estúdios e plataformas, porém, já houve ocasiões em que a classe dos dubladores se viu desrespeitada. Um exemplo recente envolve a série documental Rio-Paris — A Tragédia do voo 447, do Globoplay. Na versão brasileira, a empresa optou por dublar um dos personagens com IA, mantendo a voz original, mas o idioma em português, ou seja, substituiu o trabalho de um dublador pelo uso de uma máquina. Porém, ainda em maio deste ano, a Dublagem Viva divulgou uma lista de empresas que teriam se comprometido com uma cláusula de proteção contra IA, mas não deixou claro o nível de validade jurídica desse acordo.
Em casos em que o problema envolve violação de direitos autorais, Wendel Bezerra tem experiência. O dublador conhece bem os riscos de ter a voz roubada e já teve que resolver judicialmente. “Em compensação [ao uso recreativo], tem gente que utiliza [a IA] para tentar ganhar dinheiro, fazer locuções, audiobook, para vender pras pessoas. Eu já processei algumas pessoas por isso, e ganhei. Derrubei sites e tal, porque aí [usar a voz de outra pessoa comercialmente] eu já acho desonesto. É um crime”.
Uma das possíveis medidas para impedir o avanço desenfreado da tecnologia pode ser um PL que tramita na Câmara dos Deputados desde maio de 2022. O projeto 1376/2022, de autoria do deputado Pedro Paulo (PSD/RJ), determina que dublagens e legendagens para a língua portuguesa de obras audiovisuais produzidas originalmente em idioma estrangeiro sejam realizadas por empresas sediadas no Brasil e por profissionais com residência no Brasil. Ou seja, isso barraria parte dos avanços da IA, como no caso Rio-Paris. Entretanto, esse mesmo PL foi retirado de pauta na Comissão de Comunicação em abril deste ano, sem previsão de ser novamente discutido.
Rinaldi considera que o projeto de lei do social-democrata “é um caminho”. “Essa PL ainda vai sofrer alterações, e na minha opinião ela precisa abarcar outras questões dentro do nosso mercado. E a gente precisa ouvir a população, o que o povo brasileiro quer”, afirma. Já para Wendel, é importante que os trabalhos de localização sejam feitos em território nacional.
Segundo Bezerra, o projeto da câmara dos deputados “é bom pro mercado, pros atores e é bom até pro governo, de certa forma, porque geraria impostos. Pensando do ponto de vista do público, que é o consumidor final, você garante mais qualidade”. Defensor do uso recreativo da IA generativa, ele acrescenta que “regulamentar não é proibir a utilização, mas estabelecer limites” e evitar que “todo um ecossistema profissional” seja prejudicado.
Esses relatos levam a refletir sobre a importância humana da linguagem e da localização. A língua é viva e está em constante mudança. Se hoje, muitas produções são virais e marcantes para o público brasileiro, muito se deve ao trabalho dos dubladores e essa profissão, como todas as outras, precisa de regulamentações modernas e alinhadas com os avanços da sociedade. Entender contextos e encontrar expressões que combinem com cada personagem é uma tarefa profissional e humana que não pode ser substituída por máquinas.
Mangás e Animes
Mangás e Animes
Mangás e Animes
Mangás e Animes
Mangás e Animes
Mangás e Animes
Selecione o seu tema
Tudo o que bombou em nossas redes sociais, site e canal oficial no YouTube, você confere aqui nessa seleção quinzenal de conteúdos direto na sua caixa de e-mail!
Em primeira mão, você vai ficar por dentro dos principais lançamentos da semana nos cinemas e nos streamings para você já montar a sua agenda de maratonas do fim de semana!
Selecione o seu tema
Tudo o que bombou em nossas redes sociais, site e canal oficial no YouTube, você confere aqui nessa seleção quinzenal de conteúdos direto na sua caixa de e-mail!
Em primeira mão, você vai ficar por dentro dos principais lançamentos da semana nos cinemas e nos streamings para você já montar a sua agenda de maratonas do fim de semana!
Empresas da
Omelete Company:
Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a nossa Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados e cookies para as finalidades ali constantes.

source

Compartilhe:

Picture of Marcelo Faria - Redação Kriahtiva

Marcelo Faria - Redação Kriahtiva

Marcelo Faria, aos 27 anos, é a mente criativa por trás da produção de textos da Kriahtiva. Com uma paixão inigualável pelo universo online, seus textos são faróis de inspiração, navegando pelos mares do marketing digital com inovação e expertise. Em cada artigo, ele transforma conceitos complexos em leituras envolventes, guiando os leitores por uma jornada única de descobertas no vasto mundo do marketing.

Sobre o autor

Picture of Marcelo Faria - Redação Kriahtiva

Marcelo Faria - Redação Kriahtiva

Marcelo Faria, aos 27 anos, é a mente criativa por trás da produção de textos da Kriahtiva. Com uma paixão inigualável pelo universo online, seus textos são faróis de inspiração, navegando pelos mares do marketing digital com inovação e expertise. Em cada artigo, ele transforma conceitos complexos em leituras envolventes, guiando os leitores por uma jornada única de descobertas no vasto mundo do marketing.

Veja também

mais acessados

On Key

Related Posts

Dia do Dublador 2024 é marcado por preocupações com o avanço da IA – Omelete