A dimensão real da inteligência artificial – O Globo

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Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você
GERADO EM: 29/06/2024 – 00:05
A inteligência artificial generativa ainda é pouco conhecida e utilizada, com o ChatGPT se destacando. No Brasil, a IA está em ascensão, com planos governamentais e adoção crescente no setor público e privado.
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O termo “bolha de filtro”, cunhado pelo ativista Eli Pariser, refere-se à curadoria algorítmica que personaliza as pesquisas e recomendações na internet com base no perfil do usuário a partir do seu histórico de navegação. A consequência, intensamente debatida, é o isolamento do usuário em bolhas culturais ou ideológicas, exacerbando a divisão da internet em subgrupos de usuários com ideias semelhantes (denominada splinternet ou ciberbalcanização). A expressão tornou-se popular a partir de 2011 e foi gradativamente expandida para situações de autossegregação política, econômica, social e cultural.

Os algoritmos de inteligência artificial contribuem para formar essas bolhas, embora estudos mostrem que é da natureza humana a propensão a se conectar com pessoas e crenças semelhantes — a formação de capital social homogêneo. Um efeito pouco comentado, mas muito vivenciado, é a distorção de percepção ao generalizar as práticas da nossa bolha para o conjunto da população. Trata-se da percepção equivocada do hype (supervalorização) da inteligência artificial (IA).

Pesquisas de instituições com credibilidade apontam que ainda são limitados a familiaridade e o uso efetivo da IA generativa. O YouGov, líder internacional de pesquisa de mercado sediado no Reino Unido, a pedido do Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ) da Universidade de Oxford, investigou a população conectada em seis países — Argentina, Dinamarca, França, Japão, Reino Unido e Estados Unidos — entre 28 de março e 30 de abril de 2024. Concluiu que o ChatGPT é de longe a solução de IA generativa mais reconhecida, ultrapassando em duas ou três vezes o Gemini do Google. Contudo apenas 50% da população já ouviu falar no ChatGPT, e, entre os 50%, a maioria o acessou apenas uma ou duas vezes.
Nos Estados Unidos, embora seja crescente o uso do ChatGPT, em fevereiro de 2024, apenas 23% dos adultos americanos o tinham usado. Entre os adultos com menos de 30 anos, 43%. Na faixa etária de 65 anos ou mais o uso cai para 6% (segundo pesquisa do Pew Research Center). Em outubro de 2023, quase um ano depois do lançamento do ChatGPT, 54% dos adultos americanos praticamente desconheciam a IA (de acordo com estudo da Escola Harris de Políticas Públicas da Universidade de Chicago e do Centro de Pesquisa de Assuntos Públicos da Associated Press-NORC). Nos Estados Unidos, no Reino Unido, na Austrália e na Índia, em setembro de 2023, 49% da população já tinha acessado algum recurso de IA generativa, e apenas um terço desses usuários diariamente (segundo a Salesforce).
Aparentemente, a IA generativa está rompendo as tendências tecnológicas anteriores, como computador e internet, que tendiam a beneficiar desproporcionalmente indivíduos mais qualificados, contribuindo fortemente para ampliar a desigualdade. As soluções de IA generativa — ChatGPT, DALL-E, Stable Diffusion, Midjourney, Gemini, Llama, para mencionar as mais populares —, pelo acesso relativamente simples, têm sido parceiros valiosos para os menos qualificados (em geral ou em segmentos específicos), com impacto positivo no desempenho de tarefas como editar texto, elaborar e-mails, editar e classificar documentos, gerar ideias, traduzir textos, criar imagens, escrever ou revisar códigos. O surpreendente para os habitantes das bolhas de early users talvez seja descobrir que, mesmo com a interface relativamente intuitiva, o hype da IA não é assim tão hype.
No Brasil, estamos em plena revisão da Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (Ebia) e elaboração de um plano de IA a pedido do presidente Lula, ambos coordenados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação; de tramitação do Marco Regulatório da Inteligência Artificial no Congresso, prestes a votar no plenário do Senado a nova versão do PL 2.338; além da crescente adoção da IA pelas organizações públicas e privadas. Vale investigar como os brasileiros percebem e se relacionam com a inteligência artificial.
*Dora Kaufman, professora na PUC-SP e colunista da Época Negócios, é autora do livro “Desmistificando a inteligência artificial”

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Marcelo Faria - Redação Kriahtiva

Marcelo Faria, aos 27 anos, é a mente criativa por trás da produção de textos da Kriahtiva. Com uma paixão inigualável pelo universo online, seus textos são faróis de inspiração, navegando pelos mares do marketing digital com inovação e expertise. Em cada artigo, ele transforma conceitos complexos em leituras envolventes, guiando os leitores por uma jornada única de descobertas no vasto mundo do marketing.

Sobre o autor

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Marcelo Faria - Redação Kriahtiva

Marcelo Faria, aos 27 anos, é a mente criativa por trás da produção de textos da Kriahtiva. Com uma paixão inigualável pelo universo online, seus textos são faróis de inspiração, navegando pelos mares do marketing digital com inovação e expertise. Em cada artigo, ele transforma conceitos complexos em leituras envolventes, guiando os leitores por uma jornada única de descobertas no vasto mundo do marketing.

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